quinta-feira, 29 de setembro de 2011

NÓS NÃO TEMOS HERÓIS (Francisco Carvalho)



NÓS, NÓS NÃO TEMOS HERÓIS. NEM JAMAIS OS TIVEMOS. AFINAL, PARA QUE SERVEM OS HERÓIS E SUAS ESTÁTUAS DE GRANITO OU MÁRMORE NEGRO, SEUS CAVALOS DE BRONZE, SUAS MEDALHAS BARROCAS E AS ESPADAS QUE NÃO PASSAM DE METÁFORAS?

PARA QUE SERVEM OS HERÓIS SE O ÁCIDO DA CHUVA DESDENHA DA GLÓRIA DOS HOMENS E NEM OS PÁSSAROS SE IMPORTAM COM ELES?

PARA QUE SERVEM OS HERÓIS SE NEM SABE QUEM SOMOS NEM JAMAIS OUVIRAM FALAR DOS NOSSOS MITOS E UTOPIAS?

INFELIZ DO PAÍS QUE NECESSITA DE HERÓIS.








Viver não dói

Drummond de Andrade

Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas
e não se cumpriram.

Por que sofremos tanto por amor?

O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido
uma pessoa tão bacana, que gerou
em nós um sentimento intenso
e que nos fez companhia por um tempo razoável,
um tempo feliz.

Sofremos por quê?

Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer
pelas nossas projecções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos
de ter conhecido ao lado do nosso amor
e não conhecemos,
por todos os filhos que
gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios
que gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados,
pela eternidade.

Sofremos não porque
nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres
que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo,
para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe
é impaciente conosco,
mas por todos os momentos em que
poderíamos estar confidenciando a ela
nossas mais profundas angústias
se ela estivesse interessada
em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu,
mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos,
mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós,
impedindo assim que mil aventuras
nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e
nunca chegamos a experimentar.

Como aliviar a dor do que não foi vivido?
 A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!

A cada dia que vivo,
mais me convenço de que o
desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional.




quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O PECADO DE DAVI E SUAS CONSEQUÊNCIAS


“E aconteceu, tendo decorrido um ano, no tempo em que os reis saem para a guerra, enviou Davi a Joabe, e a seus servos com ele, e a todo o Israel, para que destruíssem os filhos de Amom e cercassem Rabá; porém Davi ficou em Jerusalém” (2 Sm 11.1).

INTRODUÇÃO

Nesse espaço, veremos uma fase de declínio na vida de Davi, o grande rei de Israel. Sua história ficaria manchada para sempre pela mácula de um adultério e consequente homicidio. No capítulo 11 de 2 Sm, encontramos o relato de um dos crimes mais condenáveis da história bíblica. O homem que já houvera derrubado inimigos quase imbatíveis e vencido guerras quase invencíveis em nome do Senhor rendeu-se incondicionalmente ao desejo carnal desenfreado pela mulher de um de seu melhores súditos. Numa tarde, enquanto passeava pelo terraço da casa real, ao ver Bate-Seba se lavando, Davi mandou perguntar quem era aquela linda mulher e, apesar de saber que se tratava da esposa de um grande amigo, trouxe-a à sua casa e a possuiu. Para desespero do rei, a mulher ficou grávida. Ele então mandou buscar Urias, seu marido, no campo de batalha para que ficasse com sua mulher algum tempo a fim de imputar-lhe aquela concepção. Como Urias se recusou a proceder conforme a ordem do rei de Israel, este arquitetou sordidamente a sua morte, ordenando a Joabe, por meio de carta enviada pela mão do próprio Urias, que o colocasse à frente do campo de batalha, em local indefensável, para que morresse. Morto Urias, Davi tomou a viúva como sua esposa e continuou a vida como se nada tivesse acontecido. Somente depois de confrontado duramente por Deus, o rei de Israel reconheceria seu erro e seria perdoado; todavia as conseqüências do seu pecado seriam danosas e duradouras.

DAVI E A TENTAÇÃO

A tentação é uma realidade com a qual todas as pessoas têm lidado desde o inicio do mundo. No jardim do Éden, ainda antes do fracasso de Adão e Eva, a tentação já era uma realidade, pois quando Lúcifer tentou nossos primeiros pais, eles ainda não haviam pecado. Por isso, vale ressaltar, ser tentado não é pecado, pois nenhum homem está isento disso, nem mesmo o próprio Filho de Deus esteve (Mt 4.1-11), mas pecado é ceder à tentação. Ser tentado também não é sinal de carnalidade, mas uma evidência de nosso caráter humano.

A Bíblia Sagrada é clara sobre a inevitabilidade da tentação. Quer falemos dos patriarcas ou profetas, reis ou apóstolos, todos sentiram o empurrão sutil da tentação impelindo para a prática do mal e, não raro, muitos daqueles herois sucumbiram. Vemos um Abrão, amigo de Deus, entregar-se à tentação de mentir a Faraó, dizendo que Sara era sua irmã e não esposa a fim de livrar a própria pele (Gn 12.10-20). Encontramos um Jacó cedendo à tentação de enganar seu pai para usurpar a bênção de Esaú, seu irmão (Gn 27.6ss). Mais tarde, os filhos de Jacó cederiam ao desejo de se vingarem de seu irmão, José, e o venderiam como escravo (Gn 37.1-28). Moisés, o grande libertador, perdeu o controle e matou um egípcio (Ex 2.11,12). Visto que o objeto do nosso estudo é Davi, com o rei de Israel não foi diferente. Davi, apesar de todas as suas virtudes decantadas na Bilbia, era homem sujeito às mesmas paixões que aliciam a alma de todos os homens. O homem segundo o coração de Deus encontrava-se no apogeu do seu reinado quando, tomado por paixões infames, caiu em pecado de adultério com Bate-seba, esposa de seu fiel soldado Urias. A gravidez resultante do adultério desencadeou uma série de outros pecados, entre eles o homicídio cruel do marido traído, numa tentativa tresloucada do rei de Israel de encobrir o seu pecado.

Na Bíblia Sagrada, encontramos o registro de três fontes de onde a tentação pode fluir: o mundo, a carne e o diabo.

A carne. Quando a Bíblia fala da carne como fonte de tentação, refere-se à natureza humana caída, cheia de paixões e desejos, lícitos ou ilícitos, muitos dos quais conspiram contra a lei do Espírito de vida (Rm 8.1,2).

Devido o efeito degenerativo do pecado na espécie humana, o ambiente em que vivemos passou a ser um lugar cada vez mais estimulador da prática do mal, em oposição à Palavra de Deus. Todos os dias, somos bombardeados por milhares de estímulos internos e externos que nos incitam à prática de atos pecaminosos. É o que Freud chamou de princípio do prazer X princípio da realidade. Dentro de uma relação inseparável, a natureza humana e o mundo proporcionam prazeres de toda sorte, os quais se chocam com o código moral prescrito pela Palavra de Deus, orientadora de como o homem deve viver para encontrar a verdadeira felicidade. Renunciar aos prazeres ilícitos, tendo como contraponto a observância dos mandamentos divinos, é uma questão de sobrevivência da espécie humana.

Em Gálatas 5.16-25, o apóstolo Paulo fala da guerra espiritual que consiste de desejos na carne militando contra o desejo do Espírito. O referido apóstolo cita uma série de obras que são próprias da carne, ou seja, da natureza humana degenerada. Sua recomendação contra as paixões da carne é para que andemos no Espírito (v 16). Em Romanos 13. 14, a recomendação paulina é para que nos revistamos do Senhor Jesus Cristo e não tenhamos cuidado na carne e em suas concupiscências.

O mundo: O vocábulo "mundo", no sentido empregado aqui, diz respeito ao sistema iníquo que rege a vida dos homens (busca do poder, riquezas, independência de Deus etc), em nossos dias, amplamente difundido pelos meios de comunicação em massa, jornais, radio, televisão e revistas. A finalidade é levar os homens a ignorarem a existência de Deus e se tornarem livres para decidir o que fazer de suas vidas. Trata-se de um sistema que se opõe abertamente ao Reino de Deus. Por isso que a Bíblia usa prodigamente a palavra mundo relacionada ao sistema regido pelo maligno. Na sua primeira Epístola Universal, o apóstolo João nos adverte a que não amemos o mundo nem o que no mundo há (2.15), pois este mundo jaz no maligno (15.19). O apóstolo Tiago avisa que qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus (Tg 4.4). Como um ímã, o mundo exerce um magnetismo quase inexorável sobre as paixões humanas, de sorte que os pecadores são arrastados como se por uma correnteza ao encontro dos prazeres e encantos que os levarão à ruína. A única arma capaz de vencer o mundo é a fé decorrente do novo nascimento. “Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” (1 Jo 5.4).

O Diabo: Satanás é o agente principal da tentação. Ele é chamado de “o tentador” (Mt 4.3). Em toda a Bíblia Sagrada, vemos suas estratégias e velhos truques a fim de induzir pessoas ao erro. Só para ficar em alguns casos mais importantes: foi Satanás quem incitou Eva a comer do fruto da árvore da ciência do bem e do mal e, portanto,  desobedcer a ordem de Deus, o que resultou em deletérias conseqüências para a humanidade (Gn 3.1); quem incitou Davi a enumerar o povo de Israel em um ato de desobediência ao Senhor, que também suscitou danosas conseqüências (1 Cr 21.1); quem, com genialidade e artifícios impressionantes, tentou Jesus a atropelar a vontade de Deus para a sua vida, porém, neste caso, não teve sucesso (Mt 4.1-11).

Contra o agente da tentação, a Bíblia nos recomenda o revestimento de toda a armadura de Deus (Ef 6.10,11) e, a partir daí, resistir ao diabo até que ele fuja (Tg 4.7).

O PECADO DE DAVI

Muito já se foi dito sobre a tentação e conseqüente pecado do maior rei de Israel. Livros e sermões já foram inspirados nele. Afinal de contas, por que um homem tão amado por Deus, de virtudes inescapáveis, chegou a praticar crime tão covarde contra um de seus fieis súditos? É uma pergunta que tem sido levantada durante os séculos e respondida de várias maneiras por aqueles que se dispõem a analisar o comportamento humano. Como um homem de Deus chega a tamanha crueldade e covardia? Talvez Davi seja o personagem bíblico que melhor representa o ser humano em suas complexas potencialidades, tanto para fazer o bem, como para fazer o mal. Com esse comentário, levanto a questão de o quanto somos circunstanciais, imprevisíveis e vulneráveis. Como disse um professor: "Nos recônditos da alma humana, existe um amontoado de desejos miseráveis, e a linha que separa o desejo do ato é muito tênue". Por isso a necessidade constante que temos de nos policiarmos, pois potencialmente o mal mora logo ali, ou melhor, logo aqui, dentro de cada um.

Antecedentes de uma tragédia.

1) A ociosidade do rei. O escritor bíblico diz que no tempo em que os reis saiam à guerra, Davi enviou Joabe, e a seus servos com ele, e a todo o Isael para que destruíssem os filhos de Amom e cercassem Rabá, porém Davi ficou no palácio (não deixe escapar a importância do porém, o grifo é nosso). Note que era tempo de guerra e não de descanso. Os reis saiam para a batalha a partir da primavera, definindo conquistas e reafirmando as fronteiras de seu país. Davi errou, não apenas em não liderar o povo à guerra, mas principalmente por descumprir a lei da guerra, conforme Deuteronômio 20, a qual rezava que os líderes deveriam estar na dianteira do povo. O rei de Israel, todavia, estava em casa descansandoocasião, ocioso, passeando no terraço da casa real (2 Sm 11.1-2).

Há um adágio que diz: Todos precisam achar alguma forma de gastar o tempo. É preciso matar o tempo em algum lugar. Não nos enganemos: a atenção humana nunca está alheia ou neutra, ela sempre se volta para alguma coisa. Enquanto passeava pelo palácio, o rei teve a sua atenção atraída para uma mulher muito bonita que estava se lavando em algum lugar inadequado. Até aqui tudo bem. O rei poderia ter desviado a atenção ou se dirigido a outro lugar do palácio, porém, condescendente com o próprio desejo, como alguém que aprecia uma simples paisagem ao entardecer, inflamou a lascívia do seu coração e foi dominado pela cobiça. Até aqui, ele ainda tinha a capacidade de dominar sobre o seu desejo.

2) A cobiça desrespeita todos os valores e não mede conseqüências. Davi, fascinado pela beleza da mulher, resolveu dar mais um passo em direção ao perigo: mandou perguntar o nome da da beldade. Era Bate-Seba, filha de Eliã, mulher de Urias. Urias e Eliã faziam parte dos valentes de Davi, dois súditos leiais do rei. No livro de 2 Samuel, capítulo 23, a partir do versículo 24, começa a listagem dos grandes guerreiros de Davi, e ali dois nomes se destacam: “Eliã, filho de Aitofel, gilonita”, (v 34) e Urias, heteu (v 39). Note que este Aitofel, avô de Bate-Seba, era o grande conselheiro de Davi  que, mais tarde,como num ato de vingança, aconselhou Absalão a possuir as mulheres do rei publicamente (2 Sm 16.20-23). Os laços de amizade e lealdade deveriam ter servido de freio ao desejo insano do rei, porém o veneno da cobiça já corria em toda a sua corrente sanguínea e já havia contaminado todas as suas células. A partir daí, o desejo não conhece obstáculo nem mede conseqüências. É por isso que quando uma pessoa se entrega à tentação, pode se encontrar numa situação absolutamente impossível de resistir.

Note que a barreira principal que se interpõe entre a tentação e a prática do pecado é o temor a Deus expressado na observância de sua Palavra (Sl 119.11). Por isso, as leis de Deus deveriam ter servido de freio para Davi, porém, no incidente com Bate-Seba, ele quebraria o sexto mandamento: "Não matarás"; o sétimo mandamento: "Não adulterarás"; e o décimo mandamento: "Não cobiçarás" (Êx 20:1-17). Todas essas barreiras morais seriam dirimidas pelo trator da cobiça.

Quantas histórias já ouvimos de maridos que abandonaram esposas, de amigos que jogaram para o ar anos de lealdade, chefes de família que abandonaram filhos, pastores que abandonaram igrejas; enfim, pessoas que cuspiram em todos os valores e princípios que defenderam a vida toda, porque viraram presa da cobiça quando brincavam com o pecado. Convém salientar que nem todos que procedem desta maneira realmente não amavam seus pares, não eram homens honestos e justos - não é isso -, mas não vigiaram em algum lugar de sua vida, momento em que deveriam ter eliminado o mal no seu nascedouro, e foram envenenados pela concupiscência. Não nos enganemos: se o pecado não fosse realmente tão danoso, a Bíblia não soaria um alarme tão estridente contra ele (1 Coríntios 10:12).

A consumação do pecado.

"Depois, havendo a concupiscência concebido-a, dá à luz ao pecado” (Tg 1.15). Prostrado finalmente à concupiscência, Davi manda trazer Bate-Seba e se deita com ela, totalmente cego às conseqüências de seu ato. A Bíblia mostra que a tentação segue algumas etapas. Tiago diz que cada pessoa é tentada quando atraída ou engodada pela sua própria concupiscência. Primeiro, Davi olhou; depois mandou perguntar o nome da mulher; em seguida, mandou buscá-la para o palácio. Neste ponto, a concupiscência já havia concebido, e daria luz ao pecado. Agora, o homem de Deus era apenas um escravo do seu pecado e desejos. O homem que, outrora, estivera a serviço de Deus, agora estaria a serviço do diabo.

A loucura de querer reparar um erro irreparável.

A Bíblia diz que um abismo chama outro abismo (Sl 42.7). Alguns dias depois do adultério, Davi ficou sabendo que Bate-Seba estava grávida. Tal notícia caiu como uma bomba na cabeça do rei, e então ele começou um vale-tudo para encobrir o seu pecado. Tanto Davi como Bate-Seba estavam cientes das implicações de seu erro. Levítico 20.10 deixa claro: “Se um homem cometer adultério com a mulher de seu próximo, ambos, o adúltero e a adúltera certamente serão mortos”. Bom, o pecado de Bate-Seba estaria visível ante o seu marido; ela seria certamente punida. Será que ela teria coragem de acusar o rei? Se fizesse, as suas palavras teriam alguma credibilidade? Davi assumiria sua culpa ou, uma vez adoecido pelo pecado, refutaria Bate-Seba? Isto nós não sabemos. O que não podemos perder de vista é que qualquer desvio da vontade de Deus abre o caminho para cada vez mais loucura e engano. Transgredindo a vontade de Deus, Davi abriu o caminho para mais tentações. A condescendência com uma paixão, longe de removê-la, só torna essa paixão mais e mais forte. Se Davi tivesse seguido o ideal de Deus, ele teria estado menos sujeito às tentações de Satanás. Neste caso, as comportas foram abertas, e Davi foi arrastado pela inundação.

Um apelo à astúcia

 Atormentado pelo desespero, o rei apelou para a astúcia. Arquitetou um plano, aos seus olhos infalível: resolveu dar férias a Urias, o marido traído, e mandou que o trouxessem do campo de batalha para casa (bondoso, não?). Davi pensava consigo: estando Urias com a sua mulher, entrará a ela, e a gravidez dela será atribuída a ele (2 Sm 11.10-12). Davi só não contava com a lealdade e a sensatez de Urias, o qual se recusou terminantemente aos prazeres do sexo, enquanto seus compatriotas estavam no calor da batalha. “ A arca, e Israel, e Judá estão em tenda, e Joabe, meu senhor, e os servos de meu senhor estão acampados ao relento. Como poderia eu entrar na minha casa, para comer e beber, e para me deitar como minha mulher? Tão certo como vives, não farei tal coisa” (2 Sm 11.11). Todavia a astúcia do rei desviado desconhecia limites. Ele, então, tentou forçar Urias por meio do álcool e o embriagou; porém a lealdade deste também desconhecia limites e ele mais uma vez se recusou a ir à sua casa.

Alguém disse uma vez que a vantagem que o mal às vezes tem em relação ao bem é que o mal não reconhece limites em suas ações, enquanto que o bem só pode atuar dentro de certos limites traçados pela ética e pelo bom senso. O rei de Israel já não conhecia limites às suas ações ímpias. Ele queria se livrar daquela situação a qualquer custo. Ele apelou, então, para uma solução extrema: matar Urias.

Crueldade desmesurada.

Vencido pela persistência de Urias, Davi escreveu uma carta do próprio punho, ordenando a Joabe que pusesse Urias no lugar mais perigoso da batalha e retirasse os homens de detrás dele para que fosse ferido e morresse, e a mandou pelas mãos do próprio Urias (2 Sm 11.15). Como observa o pastor Elinaldo Lima, Como Urias era um servo fiel, não violou a carta. Se o tivesse feito, veria que estava levando a própria sentença de morte.

Às vezes eu me pego pensando na surpresa de Joabe quando abriu aquela carta. Ele estava sendo forçado a ser cúmplice do rei em um assassinato covarde, sem nem saber o motivo. Sem dúvida ficou sabendo mais tarde quando voltou e viu Bate-Seba na casa de Davi. A minha proposição é que, a partir dali, Davi ficou praticamente nas mãos de Joabe, pois os atos deste se tornavam cada dia mais reprováveis e desobedientes, porém o rei Davi não o puniu nenhuma vez, muito pelo contrário, vemos Joabe repreendendo asperamente o rei e o ameaçando quando aquele general matou absalão, desobedecendo a ordem do rei (ver 2 Sm 18.5-18; 19.1-10). Foi Joabe quem enganou o rei para trazer absalão de volta do exílio (2 Sm 14.1-21). Tendo Davi posto Amasa no lugar de Joabe, à frente do exercito de Israel, Joabe o matou covardemente e retomou sua posição (ver 2 Sm 19.13; 20.10). Davi não tomou nenhuma medida para puni-lo. Note ainda a alfinetada que Joabe deu em Davi quando mandou avisar ao rei da morte de Urias em 2 Sm 11.19-21 Somente depois de passar o reino a Salomão, antevendo a sua iminente morte, Davi dar ordem para que, depois de sua morte, Salomão mate Joabe, como punição pelos seus crimes (1 Rs 2.5,6). Davi, depois de seu pecado, era um rei sem autoridade, o que normalmente sucede a todos os que pecam e causam escândalo.

Insensibilidade

Sabendo da morte de Urias, Davi, cinicamente, mandou dizer a Joabe: “Não te pareça mal aos teus olhos; pois a espada tanto consome este como aquele” (2 Sm 11.25). Estava resolvida a questão: Davi tomou Bate-Seba como sua esposa e se portou tranqüilamente como se nada houvera acontecido por cerca de um ano. O homem de Deus estava com a consciência cauterizada (cf 1 Tm 4.2). Seu estado de entorpecimento era tão grande que se não fosse um confronto direto com Deus por iniciativa deste, ele teria morrido em seu pecado sem nunca confessá-lo.

DAVI E A INTERVENÇÃO DE DEUS

Uma das grandes lições deste episódio é a imparcialidade da justiça divina, bem como as riquezas de sua misericórdia. Deus não pode condescender com o pecado, seja lá de quem for - Ele é justo. Certamente Davi pensou que o fato de ser rei de Israel, ungido do Senhor, lhe isentaria do juízo de Deus. “Não fará justiça o Senhor de toda a terra?” (Gn 18.25). Mais ou menos um ano depois – o menino já havia nascido (2 Sm 12.14) – , o rei estava tranqüilo em sua casa, celebrando a chegada de mais um filho, quando o profeta Natã aparece no pátio. Natã estava levando uma causa para que o rei julgasse. O que ele tinha para dizer era muito sério. Tratava-se de um camponês que possuía uma única ovelha e de um fazendeiro que tinha muitas ovelhas. Certa ocasião, o fazendeiro rico tomou a única ovelha que o pobre camponês tinha, a qual ele amava, e ofereceu como guisado ao seu visitante (2 Sm 12.1-6). Quem poderia ficar impassível diante de uma injustiça dessa? Davi ficou irado. “Este homem é digno de morte” ele disse. “Pela cordeira restituirá o quádruplo, porque fez tal coisa e não se compadeceu” (2 Sm 12.6). Davi estava promulgando sua própria sentença.

É comum desculparmos em nós mesmos aquilo que com veemência condenamos nos outros. O comentarista José Gonçalves foi muito feliz neste comentário: “É comum alguém que pecou e não tratou de forma devida o seu pecado projetar um sentimento de justiça e uma falsa santidade perante os outros”.2 Atente para palavra grifada (o grifo é meu). O conceito de projeção em Psicologia consiste em o indivíduo atribuir ao outro aquilo que é predicado seu. Por não aceitar em si, ele reprime e projeta no outro. Foi o que aconteceu com Davi, depois que o grande mestre Natã manipulou tão bem as questões emocionais não resolvidas do rei. Na parábola, Natã expôs o mal de maneira tão clara que conseguiu despertar uma resposta de indignação moral no empedernido coração do rei de Israel.

“Tu és este homem”, replicou o profeta Natã. “Assim diz o Senhor, Deus de Israel: A Urias, o heteu, feriste a espada, e a sua mulher tomaste por tua mulher; a ele mataste com a espada dos filhos de Amom” (2 Sm 12.7,9). O rei de Israel agora estava diante do espelho, de frente às suas misérias, desnudo, algo que só pode acontecer por meio de um confronto com Deus (cf Is 6.5). Há situação em que o estado de cauterização da consciência é tão grande que somente um encontro com Deus é capaz de fazer cair as escamas dos olhos e expor as misérias humanas. E o mais interessante: a iniciativa é sempre de Deus.


CONSEQUÊNCIAS DO PECADO

Uma lição inescapável neste caso é a de que o pecado, uma vez consumado, deixa suas conseqüências deletérias, ainda que seja perdoado por Deus. O pecado nunca acontece no isolamento; cedo ou tarde, de uma forma ou de outra, as conseqüências aparecem. Seus efeitos danosos levam sofrimentos tanto ao que pecou como a muitas outras pessoas inocentes. Nós não podemos nos enganar: depois da queda espiritual, a vida muda em todos os aspectos. Quantos lares destruídos, quantas famílias desmanteladas, sonhos e projetos frustrados, vidas ceifadas precocemente, por causa de um descuido de alguns crentes. “Não vos enganeis: Deus não se deixa escarnecer. Tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6.7). Davi seria perdoado por Deus, mas beberia um cálice amargo pelo resto de sua vida.

1) Sentenças divinas. Após denunciar o pecado de Davi, ali mesmo, o profeta proferiu duas sentenças divinas conta o rei. “Agora, portanto, a espada jamais se apartará da tua casa”. Foi exatamente o que aconteceu. O filho que nascera daquele adultério morreu logo em seguida (2 Sm 12.14). Amom foi assassinado por Absalão (2 Sm 13.28,29). Absalão foi morto por ter-se rebelado contra o pai (2 Sm 18.9-17). Mais tarde, Adonias também seria morto à espada (1 rs 2.24,25). Lembremos que Davi sentenciou que o homem da parábola, que tomou a ovelha do outro deveria pagar quatro vezes mais (2 Sm 12.6).

“Assim diz o Senhor: Eu suscitarei da tua própria casa o mal sobre ti, e tomarei tuas mulheres perante os teus olhos, e as darei ao teu próximo, o qual se deitará com elas a plena luz do dia. Tu o fizeste em oculto, mas eu farei este negócio perante todo o Israel, a plena luz do dia” (2 Sm 12.11,12). Para começar, Davi teve uma de suas filhas estuprada por um de seus irmãos (2 Sm 13.10-15). Depois Absalão, seu próprio filho, usurpou-lhe o reino e abusou sexualmente de suas mulheres em plena praça pública (2 Sm 15.1ss).

2) Conseqüências emocionais. Davi era um homem de alma despedaçada. As vergonhas, humilhações e execrações (2 Sm 16.5-8) por que passou o rei de Israel não encontram pares na Bíblia. As desgraças que se abateram sobe ele envolveram rompimento de antigas amizades (2 Sm 23.34), vexações familiares, desagregação do seu reino, deslealdade de seus súditos e perda de autoridade. Era um homem com feridas profundas na alma e sulcos profundos sobre as suas costas (Salmo 129). Seus salmos retratam com nítidas cores seus infortúnios (ver os salmos 6, 13, 22, 25, 38, 40, 41). A idade em que morreu - cerca de setenta anos (cp 2 Sm 5.4 e 1 Rs 2.10) - debilitado como estava, talvez tenha muito a ver com as angústias e frustrações de sua alma. Todavia, convém salientar, todas as sua feridas o impeliram para cima de Deus e o levaram a aprofundar suas experiências com Ele. Como já foi dito, o pecado cobra seu preço.

3) Conseqüências espirituais e físicas. No tocante aos efeitos espirituais e físicos, é muito pertinente o comentário do pastor José Gonçalves, o qual transcreveremos a seguir.

Não há dúvida de que os maiores efeitos do pecado de Davi estão na esfera espiritual. O pecado parece doce, inofensivo e natural, no entanto, suas conseqüências são amargas. Paulo, o apóstolo, adverte em sua primeira carta aos coríntios: “Por causa disso [do pecado], há entre vós muitos fracos e doentes e muitos que dormem” (1 Co 11.30). Em outras palavras, aquilo que é espiritual num primeiro plano, tem conseqüências físicas em segundo. Os especialistas advertem que há muitas doenças psicossomáticas, isto é, doenças da alma ou de origem psicológica que afetam o corpo físico. A Bíblia nos mostra que há também doenças de origem espiritual. A Palavra de Deus adverte: “Confessai as vossas culpas uns aos outros e orai uns pelos outros, para que sareis ; a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos (Tg 5.16). Davi pôs em prática isso e clamou ao Senhor: “[...] Tem piedade de mim; sara a minha alma, porque pequei contra ti” (Sl 41.4). (lições bíblicas CPAD, 4º semestre de 2009, p. 60).


CONCLUSÃO

“Depois de algum tempo você descobre que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida.” Esta frase de Willian Shakespeare é um verdadeiro tratado sobre a condição humana. Ela resume bem este episódio triste da vida de Davi. A sua decisão por ceder à tentação, quando deveria ter resistido, deixaria manchas irremovíveis em sua historia de vida. Mas não é só isso. Sua história com Bate-Seba nos mostra que até os mais piedosos dos homens, se não forem cuidadosos, são capazes de cometer os piores pecados; mostra que as conseqüências de nossos atos são inevitáveis; mas também mostra que, por mais profundo que seja o lamaçal em que o pecador esteja mergulhado, o perdão de Deus pode alcançá-lo.


BIBLIOGRAFIA

Bíblia de Estudo pentecostal/ CPAD.
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal/ CPAD
Paul Gardner/ Quem é Quem na Bíblia Sagrada/ Editora Vida.
Ogilvie, Lioyd John/ O Senhor do Impossível/ Editora Vida.
O Novo Dicionário da Bíblia/ Edições Vida Nova.
Lições bíblicas CPAD/ Salmos, a lira de Israel na devoção do homem moderno (3º trimestre, 1997).
Exley, Richard. Os sete estágios da tentação. São Paulo: Vida, 2000.

VIDA VIGILANTE, VENCENDO A TENTAÇÃO


“Vigiai e orai para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca” (Mc 14.38).


INTRODUÇÃO

Tentação é um assunto sempre presente na vida de todas as pessoas. Todos os dias somos bombardeados por pressões internas e externas que nos incitam à prática de atos pecaminosos. O desejo de Deus, todavia, é que o seu povo viva de maneira santa a fim de agradá-lo em todas as suas obras. Para isso nos prescreve os mesmos recursos com os quais os grandes homens da Bíblia venceram a tentação: vigilância, oração, fé, a Palavra de Deus e o poder do Espírito Santo. Sendo assim, é possível vencer as tentações por mais fortes que sejam e agradar a Deus se essas armas forem utilizadas diariamente.

O QUE É TENTAÇÃO

1. Definição. A Bíblia apresenta dois substantivos, o hebraico massâ e o grego peirasmos, para passar a ideia de tentação, tal como encontramos em nossas versões em Português, e dois verbos, o hebraico mãsâ e o grego peirazo, ambos significando tentar. A ideia primária que essas palavras transmitem não é restritamente a de sedução ou indução ao erro, mas sim a de submeter uma pessoa á prova ou sujeitá-la a um teste, com o objetivo ou de provar e melhorar o seu caráter, ou então com o propósito maldoso de mostrar a sua fraqueza e levá-la a cair na armadilha de se entregar a uma prática condenável. O que define o sentido positivo ou negativo do termo é o contexto no qual ele aparece. Na hora de traduzir a palavra do hebraico ou do grego para o português a pessoa deve escolher qual sentido se encaixa melhor no texto. Por exemplo: Quando se refere a Deus, normalmente é no sentido de testar, provar Gn 22.1); quando se refere a Satanás, normalmente é no sentido de tentar (Mt 4.1) e quando se refere a pessoas pode se aplicar nos dois sentidos. (cf 1 Rs 10.1; 1 Sm 18.39; 1 Co 11.28; At 5.9; Co 10.13).

No Dicionário Brasileiro Globo, tentação significa o ato de tentar (pôr a prova, experimentar, sondar, exercitar, instigar para o mal, para o pecado, causar desejo a); desejo veemente; movimento interior que nos instiga à prática do mal; pessoa ou coisa que tenta.

Com o tempo, a palavra "tentação" começou a ser empregada para passar a ideia restrita de testar com má intenção. Esse sentido negativo será o objeto de nosso estudo.

Biblicamente, tentação é o estímulo que impulsiona á prática do pecado. Ou, posto de outra forma, é a indução, seja interna ou externa, que impulsiona o ser humano à prática de coisas condenáveis à luz da Palavra de Deus.

POR QUE O SER HUMANO É TENTADO

O ser humano é tentado sob três aspetos: concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e soberba da vida (1 Jo 2.16). João, ao diferenciar “concupiscência da carne” de “concupiscência dos olhos” estava apenas se referindo, respectivamente, a estímulos internos e esternos que incitam à prática do pecado, sendo estes últimos internalizados pelos órgãos do sentido. Na tentação de Jesus, o diabo tentou apanhá-lo nesses três aspectos, primeiro o incitando a transformar pedras em pães para suprir as próprias necessidades (concupiscência da carne), depois o incitou a uma ostentação de poder que consistia em pular de um despenhadeiro sem se machucar (soberba da vida), terminou mostrando todos os reinos do mundo os quais foram prometidos a Jesus em troca de adoração ao maligno (concupiscência dos olhos).

1. O ser humano é tentado por causa da transgressão de nossos primeiros pais. Como conseqüência do pecado de Adão, todos os seres humanos herdamos uma patologia chamada de “síndrome das tendências pecaminosas” (ver Rm 7. 5-8; 15-24). Isso equivale a dizer que temos uma natureza inclinada para fazer o mal. A Palavra de Deus nos instrui dizendo que “não veio sobre vós tentação senão humana” (1 Co 10.13). Neste contexto, a tentação é própria da natureza carnal e pecaminosa do homem (Gl 5.13-19). Carne, aqui, não se refere à anatomia humana, mas à natureza carnal, perniciosa, herdada de nossos primeiros pais.

Por misericórdia, o Senhor providenciou uma porta chamada regeneração, através do sacrifício de seu Filho (Rm 8.14). Somente mediante a regeneração, o homem tem condição de rejeitar o mal e escolher o bem.

2. O ser humano é tentado por suas próprias concupiscências. Segundo o dicionário o Globo, “concupiscência” significa desejo ardente de bens ou gozo materiais, apetite sensual desenfreado, lascívia.

Tiago diz que cada pessoa é tentada quando atraída ou engodada pela sua própria concupiscência. Pois é: a origem da tentação não está fora, mas dentro de cada pessoa. As Escrituras nos ensinam como, de forma bem didática, ocorre o processo da tentação. Vejamos:

Atração. Primeiro vem atração mediante os sentidos: visão, audição, olfato, tato, paladar: “Mas cada um é tentado quando atraído...” (Tg 1.14; cf 1 Jo 2.16).

Engodo. A pessoa é atraída, seduzida e engodada pelo seu próprio desejo (Tg 1.14).

Aceitação do desejo. A concupiscência gera na mente, no coração e no pensamento o desejo quase indomável de pecar (Mc 7.21-23). Nesse ponto ainda se pode evitar o pecado.

Depois de todo esse processo, caso o indivíduo não resista, a concupiscência dá à luz o pecado (Tg 1.15). O pecado nasce na mente, tanto que a pessoa pode até adulterar a partir do pensamento (Mt 5.27,28).

3. Positivamente considerada, a tentação pode impulsionar o santo a ser ainda mais santo. No livro Uma vida com propósito, o escritor Rick Warren afirma: “Cada vez que você derrota uma tentação, torna-se mais semelhante a Jesus”. Perfeito. Deus permite a tentação, não para sucumbir o cristão na prática do erro, de modo nenhum, mas para que o homem de Deus seja instado a procurar uma vida cada vez mais santa. Pois é: a mesma tentação que instiga à prática do mal pode, se bem canalizada, instigar o crente a aperfeiçoar-se em santidade. Paulo aconselha aos irmãos da Galácia: “Andai em Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne” (Gl 5.16). O apóstolo mostra que o único meio de não sucumbir às exigências da carne é encher-se de Deus. Lutero foi muito feliz ao dizer: “Minhas tentações têm sido minhas mestras de Teologia”.

“Deus utiliza a situação oposta de cada aspecto do fruto [do Espírito] para nos permitir fazer uma escolha. Você não pode afirmar que é bom se jamais foi tentado a ser mau. Não pode se dizer fiel, se nunca teve a oportunidade de ser infiel. A integridade é construída ao se derrotar a tentação da desonestidade, a humildade cresce quando nos recusamos a ser arrogantes, a resistência se desenvolve toda vez que resistimos à tentação de desistir” (WARREN, Rick. Uma vida com propósito. São Paulo: Editora Vida, 2003, p 176).


O AGENTE DA TENTAÇÃO.

No livro Os sete estágios da tentação, o escritor Richard Exley conta como os caçadores de gansos de sua infância se valiam de artifícios para atraírem suas vítimas inocentes:

 “Aprendi que os caçadores mais espertos utilizam esconderijos, chamarizes e engodos. Os esconderijos são construídos de material natural da região onde haverá a caçada. Em geral são preparados bem antes da estação para que os gansos se acostumem com eles. No dia da caçada, os caçadores costumam chegar muito antes do amanhecer. Em silêncio, colocam seus chamarizes, que parecem gansos comendo ou descansando. Uma vez colocados, os caçadores retiram-se para os esconderijos, de onde podem observar os gansos que chegam sem serem vistos. Quando avistam um bando voando alto, um dos caçadores utiliza um objeto que imita a voz do ganso para atraí-los com o som de ‘está tudo bem’”.

“Por natureza, os gansos são cuidadosos e vão circular por muito tempo antes de aterrissar para se alimentarem. Enquanto circulam, ficam constantemente alertas para qualquer coisa que possa sinalizar perigo – uma voz de ganso que não seja natural, um chamariz mal posicionado ou o movimento prematuro de um caçador no esconderijo. O caçador esperto trabalha pacientemente com o seu engodo atraindo o bando cada vez para mais perto. Se o caçador tiver sucesso em enganá-los, os gansos vão finalmente abaixar as asas e deslizar na direção do chamariz. É claro que logo estejam ao alcance, os caçadores começam a atirar dos esconderijos, matando muitos daqueles pássaros magníficos” EXLEY, Richard. Os sete estágios da tentação. São Paulo: Editora Vida, 2000, p 11).

Richard Exley usa a caçada aos gansos como uma parábola para ilustrar as muitas artimanhas de Satanás na sua tentativa de abater aqueles que servem ao Senhor. Ele diz que assim como os caçadores da sua infância, o tentador estuda sua presa inocente, pois com genialidade e inteligência, ele constrói esconderijos e coloca chamarizes, sempre atraindo os inocentes para a armadilha que preparou.

1. Satanás, o agente da tentação. Satanás é o agente principal da tentação. Em toda a Bíblia Sagrada, vamos encontrá-lo usando estratégias e velhos truques a fim de induzir pessoas ao erro. Foi ele quem incitou Eva a comer do fruto da árvore da ciência do bem e do mal, desobedecendo a ordem de Deus e trazendo deletérias conseqüências para a humanidade (Gn 3.1); foi Satanás quem incitou Davi a enumerar o povo de Israel em um ato de desobediência ao Senhor, o que não ficou sem punição (1 Cr 21.1); com genialidade e artifícios impressionantes, Satanás também tentou Jesus a atropelar a vontade de Deus para a sua vida, porém, neste caso, não teve sucesso (Mt 4.1-11).

Vale salientar que ele é absolutamente previsível, pois tem usado as mesmas estratégias desde a criação. Por isso que Paulo diz que ”não ignoramos os seus ardis” (2 Co 2.11). No best-seller Uma vida com propósito, o escritor Rick Warren comenta que Satanás usa o mesmo padrão de tentação desde que se graduou como o tentador. Warren identifica na Bíblia um processo de quatro fases, o qual Satanás usou na tentação de Eva e Jesus.

Primeiro, Satanás identifica um desejo dentro de você (note que na tentação de Jesus, ele tinha muita fome, e o diabo sugeriu pão). O desejo pode ser um anseio pecaminoso, como o desejo de vingança, ou pode ser um desejo normal e legítimo, como o anseio de ser amado, valorizado e de sentir prazer. Satanás então sugere que você ou realize um desejo ilegítimo, ou então realize um desejo legítimo de forma errada ou na hora errada (ele tentou fazer isso com Jesus).

Na segunda fase (fase da dúvida), Satanás tentará fazê-lo duvidar da Palavra de Deus. Foi o que ele fez com Eva. Insinuou que não era bem do jeito que Deus disse: “Certamente não morrerás”. Lembre-se ainda de Jesus. Ele havia acabado de receber uma confirmação do Pai: “Este é o meu filho amado em quem tenho prazer” (Mt 3.17). Logo em seguida, o diabo O tentou a questionar a afirmação do Pai: “Se tu és o Filho de Deus, Faz com que estas pedras se tornem em pães” (Mt 4.3). Atente para a conjunção condicional “se” e veja que esse versículo tem uma ligação direta com o de Mt 3.17.

A terceira fase é a do engano. Satanás é um excelente argumentador, ou melhor, um excelente sofista. Apesar de ser o pai da mentira, ele não mente descaradamente: emprega sempre meias verdades. Atente para a forma engenhosa com que ele argumentou com Eva (Gn 3.4,5).

A quarta fase é a da desobediência crônica. A pessoa fica tão convencida com as mentiras do maligno que se entrega total e cegamente a prática do pecado. O pior: justifica o seu erro e até induz outros a cometê-los. Note que Eva, logo após ceder à tentação, não caiu em si, não se arrependeu, antes induziu Adão a desobediência, tão convencida estava pelo maligno (Gn 3.6).

2. Seus nomes e títulos. Não é, pois, sem propósito que a Bíblia emprega vários títulos para se referir ao maligno, os quais ressaltam o seu caráter embusteiro e destrutivo. Só para ficarmos dentro do interesse de nosso estudo, a Bíblia o chama, entre outros títulos, de Acusador (Ap 12.10), adversário (1 Pe 5.8), caluniador (Mt 4.1), homicida (Jo 8.44) maligno (Mt 13.19), tentador, serpente (Gn 3.4) e dragão (Mt 4.3).

3. Sua missão. A missão do diabo está implícita nos seus nomes e títulos. Jesus disse que ele veio para matar, roubar e destruir (Jo 10.10). Como encontra, na igreja de Cristo, um sério obstáculo ás suas ações (2 Ts 2.7), volta-se implacavelmente para os servos de Deus, a fim de destruí-los, usando como arma principal o engano. Como bem observou o pastor Claudionor de Andrade, o prazer do diabo é afastar os crentes da disciplina cristã e paulatinamente conduzi-los à morte espiritual.

4. Advertências contra os seus ardis. Encerramos essa seção com algumas advertências que a Bíblia nos faz no tocante aos estratagemas do tentador.

“No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo” (Ef 6.10,11).

“Mas temo que, assim como a serpente enganou a Eva com sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos entendimentos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo” (2 Co 11.13).

“Portanto, não podendo eu também esperar mais, mandei-o saber da vossa fé, temendo que o tentador vos tentasse, e o nosso trabalho viesse a ser inútil (1 Ts 3.5).

“Sujeitai-vos a Deus; resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” Tg 4.7).


VENCENDO  A TENTAÇÃO.

“ Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe que não caia. Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis” (1 Co 10.12,13). Lendo esses versos, percebo que ainda há esperança. De repente alguém pode achar que uma tentação é forte demais, a ponto de não poder ser suportada. Isso é mais uma mentira do maligno. Dissemos em algum momento que uma de suas ações na tentação é fazer com que a pessoa duvide daquilo que Deus disse. E Deus disse que não permite que uma tentação seja maior do que a capacidade de suportá-la. Se você quiser, você pode vencer. Para isso, precisa aplicar os princípios que se seguem, o que só se pode ser feito com muita disciplina e força de vontade.

1. Vigiando em oração. Vigilância e oração são os dois maiores recursos de que o crente dispõe para vencer as tentações da carne (Mt 26.41). Jesus, aquele que em tudo foi tentado, porém sem pecado, dá a receita para quem, como Ele, quer vencer as tentações: “Vigiai e orai para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26.41). Na carta aos efésios, o apóstolo Paulo, depois de advertir os cristãos a respeito das astutas ciladas do diabo e aconselhá-los a vestirem toda a armadura de Deus, enfatizou: “Orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito e vigiando nisso... (6.8). Sem dúvida alguma, a falta de oração e consagração tem sido um dos maiores problemas que a igreja hodierna está enfrentado. Nesta sociedade secularista, capitalista e consumista, as pessoas correm tão avidamente em busca de realizações que já não têm tempo para buscar a Deus. Nessa corrida, muitos têm sucumbido”.

Ninguém se mantém impecavelmente vigilante se não houver uma sensação constante de perigo fatal. Quem trabalha de segurança sabe que há lugares que requerem toda a atenção e cuidado, porque um vacilo pode ser fatal. Isso tem uma aplicação espiritual. O pecado é letal. Não tem conserto para as suas conseqüências. Ele destrói famílias, ministérios, reputações, vidas, deixando um rastro de destruição e morte. Como bem observou o pastor Claudionor de Andrade, o pecado não é um brinquedo, é uma serpente preste a dar o bote contra os incautos. Quem tem consciência constante disso, não baixa guarda. A eterna vigilância é o preço que se paga pela santidade.

2. Não dando lugar ao diabo. Aplicando ainda a metáfora do segurança em seu posto de trabalho, precisamos de atenção redobrada, porque temos um inimigo que é cruel. Ele não vem simular, ele vem para roubar, matar e destruir. Quem brinca de fazer segurança se arrebenta.O apóstolo Paulo aconselha os crentes de Éfeso a que não deem lugar ao diabo (Ef 4.27). O apóstolo Tiago orienta os cristãos a que resistam a ele (Tg 4.7). Ninguém pode brincar com uma serpente sem risco de levar uma picada letal. Há muitas pessoas que não levaram a sério a advertência bíblica acerca do alto grau de periculosidade do tentador e, por conseguinte, abriram espaço em sua vida para ele. O corolário foi um final trágico.

Satanás procura atingir os seres humanos valendo-se de seus pontos fracas. Foi assim com a curiosidade de Eva no Éden, o medo de Pedro ante a prisão do Mestre, a cobiça de Ananias e Safira e a solidão de Jesus no deserto. Portanto é necessário assegurar-se de que todas as lacunas estão fechadas ara que ele não encontre ocasião.

Todo vigilante usa arma das quis não pode abrir mão um só momento. O crente vigilante, que não dá lugar ao maligno é aquele que não abre mão das armaduras de Deus, citadas por Paulo no capítulo seis da carta aos efésios: cinto da verdade, couraça da justiça, sandálias do evangelho, escudo da fé, capacete da salvação e espada do Espírito (ver Ef 6.12-16). Munido assim, não haverá ponto vulnerável por onde o maligno possa entrar.

3. Andando em Espírito e não cumprindo a concupiscência da carne. A Palavra de Deus nos adverte que existe uma luta constante entre a carne e o Espírito. Nesta disputa, o crente é o árbitro. Ele pode arbitrar em favor da carne ou em favor do Espírito. Por isso que Paulo aconselhou os irmãos da Galácia: “Andai em Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne” (Gl 5. 12). Quem anda guiado pelo Espírito Santo, abunda no fruto do Espírito e não pode ser dobrado pela concupiscência da carne.

4. Guardando a Palavra de Deus no coração. A Palavra de Deus deve ser usada constantemente como arma contra o mundo, a carne e o diabo. Jesus deu o maior exemplo quando foi tentado no deserto. Toda vez que Satanás o incitava ao erro, Ele reagia citando as Escrituras (ver Mt 4. 1-11). O Mestre estava em consonância com as palavras do salmista: “Escondi a tua Palavra no meu coração para eu não pecar contra ti” (Sl 119.11).

Charles Spurgeon disse uma vez:  "A Palavra de Deus deve ser compreendida e retida no coração; ela tem que ocupar nossas afeiçoes e entendimento. Nossa mente demanda ser impregnada pela Palavra de Deus. Somente assim não haveremos de pecar contra Ele” .


CONCLUSÃO

Ninguém está imune a tentações e ataques contínuos do diabo. O próprio Filho de Deus, por ser homem, em tudo foi tentado. E a Bíblia diz que naquilo que ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados (Hb 2.18). Em Cristo somos mais que vencedores. Se, com determinação e disciplina cristã, fizermos uso das armas espirituais que Ele colocou a nossa disposição, resistiremos ao mundo, à carne, e ao diabo.

“Tentado, não cedas, ceder é pecar/ Melhor e mais nobre será triunfar/ Coragem, ó crente, domina o teu mal/ Deus pode livrar-te de queda fatal” (primeira estrofe do hino 75 da Harpa Cristã).


BIBLIOGRAFIA

Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. CPAD.
Bíblia de Referência Thompson. Editora Vida.
Lições bíblicas: As disciplinas cristãs. 2º trim de 2008 / CPAD.
EXLEY, Richard. Os sete estágios da tentação: estratégias espirituais para fugir das tentações e de suas conseqüências. São Paulo: Editora Vida, 2000.
O Novo Dicionário da Bíblia/ Editado por J. D. Douglas/ São Paulo: Vida Nova, 1995.
ARRINGTON, F. L.; STRONSTAD, R. Comentário bíblico pentecostal Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.
WILKINSON, Bruce H. Vitória sobre a tentação. São Paulo: Mundo Cristão, 1999.
WARREN, Rick. Uma vida com propósito: você não está aqui por acaso. São Paulo: Editora Vida, 2003.















terça-feira, 27 de setembro de 2011

PEDRO, O DISCÍPULO

Pois também eu te digo que tu és Pedro... (Mt 16.18)

 
INTRODUÇÃO

Numa sequência de estudos sobre personagens da Bíblia Sagrada, objetivando o aperfeiçoamento do caráter cristão, achei imprescindível estudar  o apóstolo Pedro, um dos grandes vultos do Novo Testamento. Homem inicialmente rude e de temperamento impulsivo, Pedro seria alistado por Jesus, passaria por profunda transformação e se tornaria figura proeminente na história da igreja.


DADOS PESSOAIS DO APÓSTOLO

●Nome original: Simão. Esse era o nome de registro de Pedro (Mt 10.2), que parece ser uma forma grega do nome hebraico Simeão (ouvindo), nome muito comum na época (Mc 6.3; 14.3; Lc 7.40; At 1.13, etc.). Mais tarde, Jesus mudaria seu nome para Pedro (do gr. Petros), ou Cefas (do aram. Kepha), cujo significado é pedra, rocha (Jo 1.42, 1 Co 1.12). O nome Pedro é dado, na Bíblia, exclusivamente ao personagem que no momento estudamos, e não era conhecido como nome pessoal até aquele momento.

●Filiação: Pedro era filho de Jonas, um pescador que vivia na região da Galiléia (Jo 1.42; 21.15-17; Mt 16.16).

●Profissão: Assim como seu pai, Pedro era pescador, profissão que geralmente exercia na companhia de seu irmão, André, e de outros dois irmãos, Tiago e João (Mt 4.18).

●Estado civil: Pedro era casado (Mc 1.30), e, do que podemos inferir de alguns textos bíblicos, sua mulher o acompanhava sempre no seu ministério itinerante (1 Co 9.5).

●Terra natal: Pedro era natural de Betsaida - uma aldeia nas praias nortistas da Galiléia, perto do Jordão, de fortes influências gregas. O nome é aramaico e tem o sentido de casa de pesca ou então casa de pescadores. Mas Pedro tinha também residência em Cafarnaum, na Galiléia (Mc 1.21 e segs.).Ambos os lugares se situavam à margem do lago, onde ele exercia a função de pescador.

Obs. A Galiléia fica na parte norte da palestina. Na época dos Macabeus, a influência dos gentios sobre os judeus se tornou tão intensa naquela região, que estes foram empurrados para o sul, onde permaneceram por meio século. Sendo assim, a Galiléia teve de ser colonizada, e esse fato, juntamente com a diversidade de sua população, contribuía para o desprezo em que os galileus eram tidos (Jo 7.52). É interessante o fato de Isaías falar “a Galiléia dos Gentios” (Is 9.2). Habitando aquela região, Simão tinha contato permanente com os gentios.

●Escolaridade: Pedro nunca frequentou alguma academia rabínica, não teve educação especial em teologia e retórica, nem educação formal na lei judaica, por isso era considerado homem sem letras ou indouto (At 4.13).

Obs. Não estamos descartando a erudição pessoal de Simão, pois temos ciência de que ele aprendeu durante três anos com Jesus e parece ter sido alcançado pelo movimento de João Batista (At 1.22). Naquela esfera de ansiedade pela chegada do Messias, Pedro, como um genuíno judeu que era, procura estar inteirado acerca das coisa espirituais, mormente acerca da chegada do Reino de Deus.

●Posição sócio-econômica: os filhos de Jonas, André e Pedro, trabalhavam na pescaria com o pai, embora tudo leva a crer que Simão tinha o seu barco próprio. A pesca era um dos negócios rentáveis naqueles dias; possuir barcos e redes para a indústria pesqueira não era para pessoas pobres e, portanto, estes homens eram considerados classe média alta; possuidores de suas casas próprias e viviam bem, para os padrões da época. A indústria da pesca era uma das mais importantes naqueles dias…” (Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade (São Paulo:s.e., 2001), v.6, p.22-3).


PEDRO, PESCADOR DE HOMENS (Lc 5.8-10)

Já vimos no currículo acima que Simão era pescador. Logo, é pertinente o fato de que, pela primeira vez que ele aparece no cenário bíblico, encontramo-lo lançando a rede, juntamente com seu irmão, André, e mais dois companheiros, os irmãos Tiago e João, no mar da Galiléia (Mt 4.18).

Aquele dia seria um dia como qualquer outro, não fosse o seu encontro com um homem de Nazaré, chamado Jesus, o qual mudaria a sua vida para sempre, e o tornaria figura proeminente na história da igreja de Cristo. Simão deixaria de pescar peixes para pescar homens. A Bíblia fala de três encontros entre Simão e Jesus, sendo o último deles definitivo.

Do que podemos depreender dos evangelhos de João, é provável que Simão tenha sido apresentado a Jesus ainda antes do início oficial do ministério deste. O evangelista nos conta que Pedro foi levado a Jesus por intermédio de seu irmão, André, o qual era discípulo de João Batista e seguiu a Jesus quando João disse: “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Tendo André, mais tarde, encontrado a Simão, contou-lhe que havia achado o Messias, e então o conduziu a Jesus (Jo 1.35-42).

O evangelista Mateus nos conta sobre um outro encontro: Simão e André estavam lançando a rede no mar, quando Jesus aparece andando junto ao mar da Galiléia e, vendo-os, disse-lhes: ‘“Vinde após mim e eu vos farei pescadores de homens’. Então eles, deixando logo as redes, seguiram-no” (Mt 4.18-20). O relato de Mateus é endossado pelo evangelista Marcos no evangelho que este escreveu (Mc 1.14). O fato de terem deixado tudo e seguido a Jesus sem nenhum questionamento nos faz entender que já tinham sido apresentados, conforme comentado no parágrafo anterior.

Do relato de Lucas, todavia, inferimos que Simão e os demais que foram chamados voltaram á atividade da pesca, e que houve um terceiro encontro – este, decisivo – de Jesus com eles. Precisavam de uma evidência clara da ação de Deus no carpinteiro de Nazaré. E aconteceu. Lucas registra que Simão e seus companheiros pescaram durante toda uma noite e não pescaram nada. Por conseguinte, retornaram mais cedo à praia. Chegados à praia, viram Jesus ensinando uma grande multidão. O Mestre, de imediato, reconhece Simão e entra no barco dele. Em seguida, pede para que ele afaste o barco um pouco da margem, e, assentando-se, continua a ensinar à multidão. Simão ouve, maravilhado. Acabado o discurso, Jesus ordena que ele volte ao alto mar e novamente lance as redes. Simão relutou em fazê-lo, pois estava frustrado com os resultados da noite anterior. Mesmo assim cedeu e, sob a palavra do Mestre, lançou a rede. O resultado foi uma multidão tão grande de peixes que a rede se rompia, e o barco teria naufragado, caso não tivessem pedido ajuda aos seus companheiros, Tiago e João. Pronto: era a evidência de que Simão precisava. O espanto se apoderou dele, de sorte que se prostrou aos pés de Jesus e confessou-se pecador. Simão estava confessando Jesus como Senhor. É nessa conjuntura que acontece a chamada específica. Jesus diz-lhe: “Não temas; de agora em diante, serás pescador de homens”. Iniciar-se-ia uma nova vida.

“- Já aqui vemos que Pedro precisou de um sinal para compreender que deveria seguir a Cristo. Não fora suficiente o encontro que tivera em Betânia além do Jordão, que lhe tivesse sido mudado o nome. Pedro mostra-se aqui como um típico representante dos “crentes da circuncisão”, pois, como bom judeu, movia-se através de sinais (I Co.1:22). Diante do sinal, porém, rende-se ao Senhor Jesus, o que não foi algo fácil para um homem como Pedro, que, ao longo da narrativa dos Evangelhos, revela ser um homem impulsivo, violento e que, assim agindo, demonstrava uma certa simpatia para com o partido dos zelotes, os radicais judeus que entendiam que a libertação de Israel deveria se dar pela revolta ao domínio romano” (Caramuru Francisco, em www.escoladominical.com.br/ dicas da semana).

Mais tarde, Pedro seria chamado para fazer parte do círculo íntimo do Senhor, juntamente com Tiago e João. Esse trio presenciaria os momentos mais gloriosos do ministério do Senhor - como no caso da ressurreição da filha de Jairo (Mc 5.37), na cena da transfiguração (Mc 9.9), na agonia de Jesus no Getsêmani (Mc 14.32) -, além de que seriam chamados por Paulo de “as colunas” entre os apóstolos (Gl 2.9).

Jesus muda o nome de Simão. Já vimos que o nome do filho de Jonas anteriormente era Simão, abreviatura de Simeão, um dos doze filhos de Jacó, cujo temperamento impulsivo foi reprovado e censurado por seu pai (Gn 34.25-31; 49.5-7). Jesus, sabedor do temperamento de Simão e da necessidade de transformação de seu caráter, mudou-lhe o nome para Pedro (grego) ou Cefas (aramaico), o que fora o ponto de partida para uma profunda renovação de seu caráter e temperamento.

Essa mudança de nome está carregada de forte implicação teológica. Jesus não mudou o nome de Simão para Pedro, apenas porque achava este mais bonito que aquele, não senhores. A troca de nome representou uma transformação que, paulatinamente, seria efetuada no seu ser mais profundo, e culminaria naquilo que a Bíblia chama de regeneração. Para um melhor entendimento do que estamos a afirmar, vejamos, ainda que superficialmente, a importância da outorga de um nome na Bíblia Sagrada.

Para nós, dos tempos modernos, o nome, quase inteiramente, não passa de um título pessoal, que serve para identificar um indivíduo. Esse não era o caso da Bíblia, onde o conceito de nome era ao mesmo tempo profundo e claramente concebido. Vamos a alguns exemplos.

• Primeiramente vemos que muitos nomes bíblicos estavam relacionados às circunstâncias do nascimento do indivíduo (Gn 10.25; 19; 19.22; 25.30). Essas circunstâncias poderiam ser proféticas (Gn 25.26).

• Outro motivo para a outorga de um nome era a esperança ou profecia. Deus usava nomes para que agissem como provas positivas sobre acontecimentos vindouros (Os 1.4; Is 8.14; cf 8.18). Quando eram os pais que nomeavam, eles podiam apenas expressar esperança, como, por exemplo, fazia a triste Leia (Gn 29.32,33). Outros nomes eram orações subentendidas (Gn 30.24). Nomes compostos com Yahweh e ’el devem ser compreendidos como sendo orações (ex. Josué significa Jeová é salvação).

• Muito freqüentemente, porém, a doação de um nome tinha um significado mais profundo e mais pessoal: a outorga positiva de um novo caráter e capacidade. No caso de homens nomearem a outros, isso poderia ser apenas uma esperança piedosa (2 Rs 24.17). No caso de Deus nomear alguém, tal nome era equivalente ou à regeneração, o que implicava numa mudança profunda no caráter (Gn 17.5,15; 32.28), ou à condenação (Jr 20.3).

A mudança do nome de Simão parece encaixar-se perfeitamente nesse último caso, pois tal fato acompanharia uma transformação constante em seu caráter.


O CARÁTER DE PEDRO

Já aprendemos neste trimestre que o caráter de um indivíduo é o conjunto de suas qualidades boas ou más, e que determinam a sua conduta. A Bíblia salienta os traços principais do caráter de Pedro, os quais iam se revelando em suas ações.

Pedro era um homem sincero. Desde os primeiros instantes em que esteve com Jesus, Pedro mostrou-se uma pessoa transparente e verdadeira, como no momento em que, maravilhado pelo milagre da pesca maravilhosa, prostrou-se aos pés do Mestre e confessou-se pecador, pedindo-lhe que se afastasse dele.

Pedro era dinâmico. Dinamismo é qualidade daquele que é enérgico, ativo, bem disposto, que tem iniciativa. Foi com essa disposição que Pedro decidiu sair do barco e ir ao encontro de Jesus por sobre as águas, levantou-se contra os homens que intentavam prender seu Mestre e cortou a orelha de um deles, e, no dia de pentecostes, teve a iniciativa de sair do cenáculo e pregar o primeiro sermão, arrebatando quase três mil almas.

Pedro era um homem volúvel. Uma pessoa volúvel é alguém instável, que gira facilmente; numa linguagem bem prosaica, alguém que, quando não é oito, é oitenta. No capítulo 16 do evangelho de Mateus, vemos uma seqüência de fatos que mostra bem essa realidade. O homem que ainda há pouco tinha dado lugar para Deus usá-lo, agora dava lugar para o diabo (vv 16,17,22,23). O mesmo homem que arriscou a sua vida para salvar seu Mestre, arremetendo-se contra seus algozes, e feito a promessa de que iria com Ele até a morte, mais tarde, nega-O diante de uma criada (Jo 18.10, 17,25-27). Ou, o mesmo que inicialmente não aceitava que Jesus lhe lavasse os pés, agora diz ao Mestre: “Senhor, [lava] não só meus pés, mas também as mãos e a cabeça” (qv Jo 13.6-9). Que extremos!

Pedro era impulsivo e impetuoso. Impulsividade é qualidade de alguém que reage irrefletidamente sob as emoções do momento. Pedro era guiado por uma forte impulsividade, conforme podemos ver nos casos já citados, quando ele cortou a orelha de Malco, ou então, quando prometeu que iria com Jesus até à morte, se preciso, sem nem sequer ter idéia da grandeza da promessa que estava fazendo ou dizendo.

Jesus conhecia muito bem essas e outras qualidades de Pedro, quando o chamou para o ministério. O mestre via além das fraquezas daquele homem: visava as suas potencialidade. Para citar o lugar comum, vale lembrar que Deus não chama capacitados, mas capacita os chamados. A ousadia, impulsividade e dinamismo de Pedro seriam muito úteis quando a serviço de Deus (At 1.13,15; 2.4). Antes disso, todavia, Pedro passaria por uma experiência que foi decisiva para uma transformação profunda no seu caráter.


GRANDE FRACASSO E RENOVAÇÃO

Pedro nega a Jesus. No capítulo 26 do evangelho de Mateus está registrada a mais importante e mais amarga experiência da vida de Pedro. Por três vezes ele negaria seu Mestre. Logo ele que havia prometido ir com Jesus até à morte, se preciso (v 35). O acontecimento se dá no pátio da casa do sumo sacerdote Caifás, onde os escribas e anciãos estão reunidos. Jesus está preso. Todos buscam acusações contra ele. Depois de um interrogatório breve, cospem-lhe o rosto e o esbofeteiam. Pedro observa. De repente, uma criada se aproxima e lhe diz: “Tu estavas Com Jesus, o Galileu”. Ele responde: “Não sei o que dizes”. Amedrontado, sai para o vestíbulo, quando uma outra criada diz para os que ali se encontram: Este também estava com Jesus, o nazareno”. “Eu juro que não conheço tal homem”, Pedro responde, irrefletidamente. Ah! Mas o sotaque dele o denuncia. “Verdadeiramente tu és um deles, pois a tua fala te denuncia”, acusam-no de novo. Pedro se indigna, começa a praguejar e jurar; diz: “Não conheço esse homem”. O galo começa a cantar. Imediatamente Pedro lembra o que Jesus havia dito, e qual não foi sua dor quando, naquele mesmo momento, Cristo o olha de forma penetrante. Só lhe resta chorar, chorar amargamente. Era a tristeza segundo Deus, que opera o arrependimento para a salvação (2 Co 7.10). Ali Pedro é despido de todo sentimento de orgulho, prepotência e superioridade que o caracterizou nos três anos de discipulado. Sem dúvida alguma, o fato de fazer parte do círculo íntimo de Jesus e as revelações que recebera de Deus fizeram-no pensar que era melhor que os demais. Agora se sentia o pior de Todos. Começava a conversão de Pedro.

Procurado por Jesus. Os dias que se seguiram à morte de Cristo foram sombrios para Pedro. Ele ainda podia ouvir o cantar do galo e ver o olhar penetrante de Jesus. Os pensamentos que campeavam sua cabeça eram de desilusão, frustração e pesar. Negar seu Mestre, não, aquilo seria irreparável. De repente, as mulheres lhe trazem a notícia de que Jesus havia ressuscitado e mandara um recado para ele: “Mas ide, dizei a seus discípulos [de Jesus] E A PEDRO que ele vai adiante de vós para a Galiléia; ali o vereis como ele disse” (Mc 16.7). Ali começava a restauração de Pedro. Mais tarde, Jesus lhe aparece, ressurreto, em circunstâncias desconhecidas (Lc 24.34).

Foi no mar de Tiberíades que se deu o último estágio da restauração. João conta que, mesmo depois de todas as experiências que tivera com o Senhor, Pedro resolve voltar à pesca (cap 21). Alguns dias se haviam passado desde que Jesus aparecera pela segunda vez aos discípulos no Cenáculo – naquela ocasião, Ele lançou em rosto a incredulidade de Tomé (Jo 20.27). Junto com Tomé, Natanael, Tiago e João, Pedro tem uma idéia que revela mais uma vez a inconstância de seu caráter. Ele diz: “Vou Pescar”. Naquela noite, nada apanharam. De manhã, Jesus aparece na praia, mas não é, a princípio, reconhecido por eles. “Filhos, tendes alguma coisa que comer?”, pergunta o “desconhecido”. “Não”, é a resposta que tem. “Lançai a rede à direita do barco e achareis”, continuo. Obedeceram a ordem e uma multidão de peixes emergiu na rede. Estava se repetindo o milagre da pesca maravilhosa. Acredito que Jesus queria lembrar-lhes alguma coisa a: que em uma circunstância bem parecida como aquela, ele fora chamado para abandonar a pescaria para ser pescador de homens. Por que então estava voltando ao mar?

Foi João quem primeiro percebeu que era Jesus e abriu os olhos de Pedro: “É o Senhor” (v7). Quando Simão Pedro reconheceu Jesus, cingiu-se (estava nu) e lançou-se no mar. Na praia, depois de jantarem, Jesus se dirige a Pedro com a seguinte Pergunta: “Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que a estes?” “Sim, Senhor; tu sabes que eu te amo”, respondeu Simão. “Apascenta as minhas ovelhas”, continuou Jesus. Simão seria questionado mais duas vezes com a mesma pergunta. Pela terceira vez, ele responde, agora entristecido, “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo”. “Apascenta as minhas ovelhas”, Jesus lhe pede pela terceira vez. Pronto: Pedro estava restaurado, convertido, transformado; pronto a ir até à morte por Jesus. Tanto é que, logo em seguida, o Senhor vaticina sobre o tipo de morte que Pedro teria, com que glorificaria a Deus (vv 18,19).


TOTALMENTE TRANSFORMADO

Pedro no Pentecostes. Jesus já havia voltado para o céu. Antes, porém, ordenou que os discípulos não se ausentassem de Jerusalém até que do alto fosse revestidos de poder (At 1.8). Cinqüenta dias depois da ressurreição de Jesus, acontece o cumprimento da promessa e os discípulos são batizados com o Espírito Santo (At 2.1-5). Os sinais resultantes do batismo chamam a atenção de judeus de todo o mundo que estão ali reunidos para celebrarem a festa de Pentecostes e querem saber o que era aquilo. Pronto. Pedro, cheio do Espírito Santo, levanta-se e prega o seu primeiro sermão com tanta ousadia e destemor que quase três mil almas se converteram. Seu temperamento destemido, impulsivo e ousado estava agora a serviço de Deus, sob total controle do Espírito Santo. Imaginem só alguém que negara Jesus diante de simples criados, agora o confessando diante de grandes autoridades.

Pedro após o Pentecostes. O comentarista deste trimestre fala de dois elementos que marcaram o ministério de Pedro: graça para resistir à perseguição e zelo pela integridade da igreja.

a) Resistindo à perseguição. O homem inconstante que não conseguia velar sequer uma ora em oração com seu Mestre, agora é um crente de constante oração. E estava indo orar, juntamente com João, quando curaram um coxo à porta do templo (At 3.1-9). Naquela oportunidade, Pedro pregou seu segundo sermão, resultando na conversão de quase cinco mil almas (At 4.4). O tumulto chamou a atenção dos sacerdotes e dos capitães do templo, os quais conduziram Pedro e João ao Sinédrio, o mesmo tribunal que julgara Jesus. Pedro agora está convertido, está seguro e convicto, a ponto de defender com toda a ousadia a causa do Mestre e regozijar-se por se haver digno de sofrer pelo seu Senhor (At 5.42). Nem mesmo os grandes interpretes da lei judaica conseguiram calar o homem, muito pelo contrário, ficaram impressionados com a sabedoria co que Pedro falava, sabendo que este era homem indouto. Pressionado para que parar-se de pregar, Pedro se saiu com esta pérola: “Porque não podemos deixar de falar do que temos visto e ouvido” (At 4.20).

b) Zelando pela integridade. A igreja recém-formada crescia de forma impressionante. Grande era o entusiasmo entre aqueles primeiros crentes. Ele vendiam suas propriedades e traziam aos pés dos apóstolos. É nessa conjuntura que Pedro, como um líder na igreja, tem que lidar com os ardis de Ananias e Safira, um casal que usou de falsidade para com a comunidade dos santos. Eles venderam voluntariamente uma propriedade, a fim de que o dinheiro fosse doado para a realização de obras sociais na igreja. Mas não entregaram o valor combinado, guardaram uma parte, tentando assim enganar o homem de Deus. A desonestidade do casal foi revelada a Pedro pelo Espírito Santo. Não, a igreja não podia abrir aquela fissura logo de início. Pedro precisava tomar uma posição. E agiu. Por uma questão de integridade – isso não se negocia –, ministrou uma punição extrema – a morte - sobre Ananias e Safira (At 5.1-10).

É importante notar o papel de liderança desempenhado por Pedro naqueles dias. Foi ele que sugeriu que se escolhesse um outro apóstolo para preencher o lugar de Judas, o traidor, e que resultou na escolha de Matias. Foi ele quem respondeu aos judeus atônitos o que significava os sinais no dia de Pentecostes, quem se insurgiu contra a desonestidade de Ananias e Safira; mais tarde daria palavra decisiva sobre os gentios, ordenando que não impusessem sobre eles o jugo dos ritos judaicos (At 15.7.-10).


CONCLUSÃO

Pedro foi um homem notável por sua sinceridade e forte desejo de servir a Jesus em quaisquer circunstâncias. Com sua história, aprendemos que Deus chama o homem, apesar dos seus defeitos, a fim de projetar nele o seu caráter santo mediante a obra do Espírito Santo. Pois ele conhece a estrutura de cada um de nós, sabe de nossas imperfeições e nos entende. Há, porém, uma virtude que não pode faltar ao servo do Senhor: sinceridade. Se formos sinceros e desejarmos realmente servi-lo com toda a dedicação, a porta estará aberta para o Espírito Santo efetuar as transformações necessárias em nosso caráter.


BIBLIOGRAFIA

Bíblia de Estudo pentecostal/ CPAD.

Lições bíblicas CPAD/ A busca do caráter cristão (3º trimestre, 2007).

GARDNER, Paul. Quem é quem na Bíblia Sagrada. São Paulo: Editora Vida, 1990

O Novo Dicionário da Bíblia. Editado por R. P. Shedd. São Paulo: Vida Nova, 1995

Comentário Bíblico Pentecostal. Editado por French L. Arrington e Roger Strostad. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.

BUCKANDE, M. A. Dicionário Bíblico Universal. São Paulo: Editora Vida, 1981.