domingo, 4 de dezembro de 2016

A você, mestre

Tenha sempre em mente que sua missão é educar para a vida e para a autonomia, conduzindo seu discípulo a ter condição de assumir as rédeas da própria vida a partir da educação básica que teve. Não cobre gratidão como uma forma de disfarçar ameaças. Um dia, em algum aspecto, seu discípulo vai romper com você no que se refere a algum conceito e ponto de vista, poque, óbvio, ele tem uma mente que é diferente da sua. Quando isso acontece é sinal de que você o educou como deveria. Se concordar com você a vida toda, você criou clones e não discípulos. Só para citar alguns exemplos clássicos, Platão rompeu com Sócrates em algum momento e Aristóteles rompeu com Platão. 

Digo isso porque existem mestres que sofrem de um mal muito parecido com o da mãe que quer educar o filho para si e não para a vida, e que, portanto, não entende que o filho tem que ser desmamado um dia, criar autonomia posteriormente e voar para a vida. Alguns educadores ensinam tudo menos autonomia a seus discípulos, e os fazem de reféns pela vida afora, cobrando~lhes uma pretensa gratidão, palavra muito adequada para disfarçar suas ameaças. O verdadeiro mestre ensina para a autonomia de uma vida livre e individual, dirigindo o discípulo para fazer as próprias escolhas. Destarte, mesmo reconhecendo o que muitos mestres fizeram por mim, quero tomar as rédeas da minha própria vida, não quero ser refém pela vida afora.