sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Fé e razão conciliadas em Santo Agostinho

A filosofia medieval tem sua origem na teologia patrística, ou seja, a teologia dos pais da igreja, desenvolvida entre o século II e o século IX, período denominado Alta Idade Média. No início da fé cristã, a nova doutrina que fora ensinada por Jesus e seus discípulos imediatos, os apóstolos, sofreria ataques ferozes, tanto de dentro como de fora do arraial da igreja. Neste contexto, os pais da igreja, assim chamados por serem os substitutos imediatos dos apóstolos, começaram a desenvolver a apologética cristã, tendo em vista explicar e defender a “nova” doutrina dos ataques dos hereges. Para tal, usaram como ferramenta a filosofia platônica, chegando a fazer uma síntese entre esta filosofia e a doutrina cristã.
O destaque vai para o nome de Santo Agostinho, que vai recorrer a conceitos da filosofia platônica para elucidar, entre outras coisas, a compatibilidade entre a verdade da fé e a verdade da razão, ou seja: Como explicar racionalmente alguns mitos do cristianismo, considerando que a filosofia já havia se dado ao trabalho de separar, em sua constituição primeira, estes dois polos – a razão e o mito? 
O bispo de Hipona estende um paralelo entre a teoria das ideias, de Platão, e a iluminação divina necessária ao entendimento das Escrituras. Assim sendo, para ele, o mundo das ideias exprime a perfeição e seria o equivalente às ideias divinas, que exprime a verdade, enquanto que e mundo sensível seria uma cópia imperfeita do mundo inteligível, o equivalente às ideias mundanas, que são as opiniões.
Segundo a agostiniana teoria da iluminação, só é possível ao homem pensar correto porque e quando ele recebe de Deus a iluminação acerca do conhecimento das verdades eternas, tal como o sol ilumina e reflete a imagem dos objetos do mundo, possibilitando que sejam capitados pela visão. Em Platão, o sol ilumina a ideia de Bem. Em Agostinho, Deus ilumina as verdades eternas.

Para Agostinho, a fé é o meio primeiro pelo qual o homem pode chegar a verdade, o que se traduz na expressão: “Creio para que possa entender”. Não que a razão não seja importante, haja vista que ele se vale da filosofia, mas, em Agostinho, a razão servirá como auxiliar da fé e estará sempre subordinada a esta.   
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