sábado, 27 de maio de 2017

Saber ilimitado ou vaidade?

Sempre vi com certo grau de desconfiança esses intelectuais que opinam excessivamente sobre uma infinidade de assuntos e que têm respostas e opiniões assertivas para todos os fenômenos, esses cujas opiniões não têm espaço para expressões como "eu não sei" ou "tenho dúvidas" ou "não falo porque não é da minha alçada".  

Outro dia, parei para ver esses vídeos virais da internet, pessoas bem conceituadas intelectualmente falando sobre tudo e todos. A atenção se voltou mais para alguns professores que têm uma opinião “segura” e fechada sobre todos os assuntos sobre os quais são questionados. Assunto que vão desde religião até politica nacional e internacional, passando entre uma coisa e outra por refugiados, cracolândia, corrupção, felicidade, amor, igrejas neo-pentecostais etc.

        Fico impressionado com o saber desses que a mídia chama de professores. Eles citam fatos e nomes históricos, recentes e distantes, fazem referências às teorias mais diversas, nos campos da filosofia, psicologia, sociologia, teologia e política como se estivessem lendo numa enciclopédia. Se você correr para o Google a fim de conferir a veracidade do que estão citando, vai encontrar tudo de acordo com o que disseram. É impressionante. Porém o que me causa espécie é o fato de que esses caras sabem opinar seguramente sobre tudo, o bem e o mal. Eles sabem se o Dória acertou ou não com a invasão da cracolândia, se o presidente acertou ou não recorrendo ao exército para proteger o patrimônio público de manifestantes enraivecidos, se a decisão do juiz foi ou não acertada em relação ao réu, se Jesus era ou não o Filho de Deus e se Maomé deixou ou não descendentes.
  
Meu Deus, é possível saber de tudo o tempo todo com tanta certeza? Ou esses caras são iluminados e estão aluminando multidões com a sua luz ou já perderam, de há muito, os limites da vaidade humana, a  ponto de não terem mais bom senso para reconhecerem que, diante de alguns assuntos, melhor recorrer a especialistas da área do que sair por aí falando sobre coisas que não conhecem só porque a massa ignara aplaude. Entre uma coisa e outra, permito-me o benefício da dúvida.

Lembrei-me do pastor Ezequiel, homem simples e sábio. Eu estava ministrando uma aula de teologia uma vez, e ele era um dos meus alunos voluntários. Confesso que me empolguei na aula. Falei de tudo que me veio à cabeça com convicção e assertividade. Respondi todas as perguntas que os alunos fizeram e não dei margem para réplica. Senti-me senhor do saber.

No final da aula, pastor Ezequiel se aproximou com o jeito que lhe é peculiar, parabenizou-me pela aula e sussurrou-me que eu havia cometido apenas um erro na ministração. E completou que o grande erro que um professor pode cometer é achar que somente ele sabe das coisas, que toda a sua plateia é ignorante ou menos sapiente. Antes que eu digerisse isso, ele emendou: “Cuidado, tem muita gente boa te ouvindo”. Santo remédio.

Bom, é o que tenho pensado ultimamente ouvindo esses caras que têm resposta para tudo. 
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