quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

O cristão e as redes sociais




Às vezes fico me perguntando como os nossos pais conseguiram passar sem a Internet. Entendo que antes do surgimento desse universo virtual, as pessoas eram mais dispersas e solitárias. A Internet estreitou os limites do mundo e diminuiu a distância entre os indivíduos, nações e culturas. Talvez aquele plano humano da Torre de Babel, frustrado pelo próprio Deus, de querer que as pessoas vivessem todas próximas umas das outras, num único conglomerado,  esteja mais perto de ser atingido agora com o advento da Internet e o surgimento das redes sociais.

Sou da geração da transição pré/pós Internet e posso afirmar que nós já sentimos mais saudade, solidão e nostalgia. Aqueles colegas da escola primária que nunca mais vimos, que destino lhes coube? E aquele parente que mudou de nossa cidade e nunca mais apareceu? E aqueles que deixamos na cidade de onde partimos e nunca mais voltamos? Aquela antiga professora do ginásio, os irmãos de nossa antiga igreja, o pastor de nossa conversão, o primeiro professor da Escola Bíblica Dominical... A gente se surpreendia perguntando: Onde andará? O que será que aconteceu? Será que ainda vive? Hoje, por meio da Internet, é possível reencontrar grande parte deles. Não é fantástico?

Pelas redes sociais, eu sei que a Patrícia mora em Brasília e trabalha numa loja de roupa, é casada e não tem filhos. A Maria, menina que amei na adolescência, está também em Brasília, casada, cheia de filhos e  muito bem financeiramente. O Bau mora em Recife; o Biu, em Ipojuca; a professora Lia vive em Nossa Senhora do Ó. E não é que encontrei meu primeiro professor da Escola Bíblica Dominical? Ele permanece na cidade de Camela (PE), onde morei, e tem um blog do qual sou seguidor. O mundo se transformou em algo como uma cidadela do interior onde todos sabem de todos.

Tive meu primeiro contato com a internet em 1998. Inicialmente, o  uso se limitava a receber e enviar e-mails e fazer algumas pesquisas pelo Yahoo. Os relacionamentos se davam nas salas de bate-papo, onde todo mundo via a conversa de todo mundo, e toda conversa começava com a pergunta: “Quer tecer?” Tornei-me viciado em comprar livros nas livrarias online, porque eu já gostava de comprar livros, e agora, à distância de um clique, a compulsão aumentou. Eu comprei tantos títulos que não conseguia mais acomodá-los em casa e tenho vários que nunca li. Estava na promoção, eu clicava e comprava. No início, quando eu ainda era solteiro, as pulsões sexuais aumentaram quando percebi que mulheres esculturais estavam à distância de um clique e foi difícil permanecer casto, mas resisti. Além de comprar livros compulsivamente, eu lia poesias de Bocage e Fernando Pessoa;  de vez em quando, confesso, batia alguns papos e era convidado a dar um clique num link com uma mulher bonita em trajes sensuais, o que procurava ignorar. Eu pensava: “Que mundo fantástico”!

Um dia, alguém me apresentou um recurso chamado blog e disse que, através dele, eu podia compartilhar meus pensamentos, textos, fotos e atividades com o mundo todo. Topei. Cara, foi muito bacana! Tirei aqueles pensamentos registrados em agendas velhas, mofadas no fundo de um baú, e os enviei para o mundo. Começaram a chegar os primeiros comentários e, através da ferramenta do blog chamada Estatística, pude ver que pessoas de quatro continentes estavam lendo o que eu escrevia no meu quarto de dormir. Russos, italianos, africanos, indonésios, canadenses, norteamericanos, etc. Eu pensava: “Gente, que loucura é essa”? Isso potencializava umaa  vocação para a escrita. 

Depois alguém me apresentou um recurso que me possibilitava conversar sem que a minha conversa fosse vista por todos, e eu ingressei no msn. Outro dia, abri meu e-mail e estava lá o convite de alguém para que eu fosse seu amigo em alguma coisa chamada Orkut. A curiosidade me levou a aceitar o convite. Quando acessei, pronto, o mundo havia dado um giro de 180 graus. A vida nunca mais seria a mesma. As redes sociais apareceram para revolucionar o mundo. Orkut, Twitter, Facebook, My Space, Ning, Haboo, Sonico, Linkedin, Foursquare, bado...  É rede social que não acaba mais. Os recursos que essas mídias colocaram à disposição das pessoas, com a facilidade do acesso à internet, provocaram uma revolução social de proporções imensuráveis. Alguém disse que é a maior revolução depois da Revolução Industrial. E agora, com a facilidade de uso da internet pelo celular, as pessoas estão conectadas 24 horas.


 As redes sociais tornaram-se numa correnteza que a tudo arrasta, tornando impossível evitá-las. Estar continuamente conectado é um estilo de vida. E os cristãos, como podemos compreender tudo isso? Aguns me perguntam se as redes sociais são um empecilho à vida da igreja ou um poderoso recurso à disposição dela. Sabemos que há igrejas resistentes a essas novas mídias, que criticam ferrenhamente os que as usam por acharem que elas corrompem e manipulam as massas. Mas que opinião poderíamos emitir a este respeito à luz da Palavra de Deus?

Jesus , orando em favor de seus seguidores, pediu ao Pai: “Pai, não te rogo que os tires do mundo, mas os livres do mal.” Este mundo a que Jesus se referiu abrange aspectos geográfico, social e cultural. E ele adquire faces diversas, de acordo com a época em que se vive. Sem dúvida, o mundo do tempo de Jesus era bem diferente do nosso, mas a oração dele ainda continua valendo. Nós estamos neste mundo para influenciá-lo com os recursos que recebemos de Deus, mas para isso, é preciso estar presente em todos os seguimentos sociais;  fugir dele é tão danoso quanto se deixar sucumbir por ele. Já diz o surrado ditado que quem não se envolve não se desenvolve.

Por que alguns têm tanta dificuldade para entender isso? Como observa Caleb Gardner, "em diferentes momentos do século passado, dissemos “não” para o rádio, a televisão e o cinema. Hoje, muitos de nós estão na iminência de rejeitar as mídias sociais da mesma forma. Em minha opinião, isso é um erro que poderia trazer um alto custo à Igreja, prejudicando sua relevância". Ora, a igreja precisa acompanhar a evolução do mundo, potencializar e aperfeiçoar seus recursos, para que façam frente a uma sociedade em mudança acelerada. A igreja precisa entrar lá, a liderança, os pastores , etc., e se valer dessas ferrametnas para fomentar a obra missionária, evangelizar os de perto e os de longe, semear esperança e promover o Reino de Deus; e o mais importante: adicionar o sal do evangelho neste enorme caldeirão de cultura que é a Internet.
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