quinta-feira, 31 de maio de 2012

Um vazio do tamanho de Deus

Josafá R. Lima


Há sempre a falta de alguma coisa indefinível, que lança o sujeito numa busca constante e inconsequente por se preencher daquilo que o próprio esforço parece incapaz de atingir: é a incessante agonia humana. J. R. Lima
“Ó Deus, tu és o meu Deus, eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti, o meu corpo te deseja muito em uma terra seca e cansada, onde não há água”.

Durante toda a história humana, diversos pensadores questionaram acerca da falta de sentido da vida, o que parece se caracteriza por um vazio existencial que acomete a alma humana, lançando-a num profundo desespero, fenômeno que parece se exasperar nos dias hodiernos. Albert Camus, filósofo francês, afirmou certa vez que o homem não pode viver sem um significado. E o grande mal do homem moderno, como já exposto acima, parece ser falta de significado, o que tem origem na ausência de algum bem que desconhecemos e buscamos substituí-lo por entretenimentos concretos da vida. A psicologia já sacou que o humano é um ser faltante que naturalmente procura enchimento no sexo, nas drogas e na religião - a invenção de um significado.

Mas nem precisa consultar as ciências humanas e a filosofia para se certificar dessa realidade, pois trata-se de um mal vivenciado no dia-a-dia pelo homem comum. O doutor Fábio Ikedo, no livro Um Vazio do Tamanho de Deus, conta que há alguns anos foi efetuada uma pesquisa de opinião pública na França. O resultado mostrou que 89% das pessoas consultadas admitiram que o ser humano precisa de “algo” pelo qual possa viver, ou seja, andam em busca de alguma outra coisa que eles não sabem o que é. É uma realidade bem parecida com a dos atenienses que projetaram seu vazio religioso-existencial em um ser cujo nome não sabiam e, por isso, se reportavam a ele chamando-o de deus desconhecido (At 17.23).

A experiência já mostrou que não se trata de um desespero resultante de carências materiais, econômicas e sociais, ou de problemas de ordem cultural: é algo que afeta a todos indistintamente. Um levantamento, continua Fábio Ikedo, feito com 100 alunos da universidade de Havard, todos provenientes de famílias abastadas, revelou que 25% deles duvidavam que suas vidas tivessem algum sentido. Revistas psiquiatras relatam que esse mesmo fenômeno ocorre em todos os países comunistas.

O romancista russo Fiodor Dostoievski disse que há no homem um vazio do tamanho de Deus. Talvez nessa afirmação resida a explicação para o desespero existencial humano e o esclarecimento de tantos desatinos perpetrados pela espécie humana nessa busca de saciar os anseios da alma. Estamos em busca de algo que é vital. Não sabemos mesmo o que é? Ou, em nosso orgulho, não queremos aceitar a  realidade de que  Deus é a única realidade proporcionadora de significado da vida e que, portanto, sem ele tudo não passa de um caos? Parece-me que foi Voltaire quem disse que "se Deus não existisse, seria preciso inventá-lo." Pois bem, apesar de ateu, o pensador francês teve que reconhecer que ao menos a ideia de Deus é algo absolutamente necessário.   

A Bíblia atesta a existência de um Deus que criou o homem com um prepósito especial: ter comunhão com Ele (Gn 2.18-20; 3.9). Logo, o propósito da vida de todo ser humano seria andar com o seu Criador e glorificar-lhe o nome santo. Desviado deste objetivo, a criatura acha-se acometida de uma crônica falta de sentido. É como se o chapéu, feito obviamente para a cabeça, estivesse sendo usado como sapato. Que sentido há nisso? Segundo a Bíblia, o pecado desviou o homem do plano original que o Criador traçou para a sua vida (Rm 3.23). A palavra grega usualmente para pecado é “hamartia” e tem o sentido básico de “errar o alvo”. Como um arqueiro que atira, mas erra, da mesma forma o pecador erra o alvo final da vida: fazer a vontade de Deus e ter comunhão com Ele. Essa é, segundo a Bíblia, a razão do vazio existencial inerente a todos os homens.

O evangelista Billy Graham, tratando do assunto, afirmou: “Queremos paz, alegria e felicidade que não achamos em lugar nenhum, porque isso não se pode achar à parte de Deus”. Perfeito. Os seres humanos nunca estarão satisfeitos com aquilo que têm, pois a necessidade da alma é grande demais para ser preenchida com bens terrenos. Muitos têm buscado preencher-se com os tesouros deste mundo: dinheiro, fama, estudos, trabalho excessivo; outros se entregam ao sexo, drogas e álcool, mas a sensação de que algo está faltando é onipresente. Não adianta tentar fugir: o homem vai dar sempre de cara com esta realidade: ou Deus ou o caos. Paulo diria que esse “algo” que vocês buscam, sem nem mesmo saber o nome, é o Deus que eu anuncio, o Criador dos céus e da terra (ver At 17.23,24).
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