quinta-feira, 7 de abril de 2011

Jeus, Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem (parte 2)

 OS TRÊS OFÍCIOS DE CRISTO

1. O Profeta que havia de vir. Já no ocaso de seu ministério, Moisés, o protótipo de todos os profetas, vaticina: “O Senhor, vosso Deus, te despertará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, como eu; a ele ouvireis... Eis que lhes suscitarei um profeta do meio de seus irmãos, como tu, e porei as minhas palavras na sua boca e ele lhes fará tudo o que eu lhe ordenar” (Dt 18. 15,18). Cerca de 1450 anos depois, do meio de uma multidão, assombrada por ver Jesus de Nazaré ressuscitar o filho de uma viúva, ouve-se essa declaração estupenda: “Um grande profeta se levantou entre nós” (Lc 7.16).

Os Judeus, seguidores de Moisés, não podiam imaginar que o grande legislador de Israel se referia a Cristo, o Salvador do mundo. Para eles, a profecia de Moisés se cumprira em Josué, o que era verossímil. Todavia, Pedro, no capítulo 3 de Atos dos Apóstolos, apresenta Jesus a uma multidão assombrada pela cura de um coxo, como o profeta semelhante a Moisés (vv 22,23). Deixa claro o apóstolo que Jesus foi o real cumprimento dessa profecia.

“Seria natural dizer que Josué cumpriu essa profecia. Josué, o seguidor de Moisés, realmente veio depois deste e foi um grande libertador de seu tempo. Surgiu, porém, outro Josué (na língua hebraica, os nomes Josué e Jesus são idênticos). Os cristãos primitivos reconheciam Jesus como o derradeiro cumprimento da profecia de Moisés” (David R. Nichols [Teologia Sistemática / Edição de Stanley Horton / CPAD / P 308]).

Há realmente muita semelhança entre o ministério de Jesus e Moisés. 1) Moisés foi ungido pelo Espírito (Nm 11.17); Jesus disse: “O Espírito do Senhor está sobre mim e me ungiu...”(Lc 4.18). 2) Moisés introduziu a Antiga Aliança; Jesus introduziu a Nova Aliança. 3) Moisés libertou Israel da escravidão do Egito e estabeleceu o pacto de seu relacionamento com Deus; Jesus libertou seu povo da escravidão do pecado e das garras de Satanás e nos reconduziu a Deus. 4) Moisés conduziu o povo à lei, como o meio de se receber a benção de Deus; Cristo chamava o povo a si mesmo e ao Espírito Santo como meio de se receber a bênção divina (ver Bíblia de Estudo Pentecostal / Nota “Um Profeta”, p 1635).


2. O Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque. No AT, o sacerdócio era um dos três ofícios sagrados entre os judeus, e o sacerdote era alguém tomado dentre os homens, constituído a favor dos homens, nas coisas concernentes a Deus para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados (Hb 5.1). Tinha que ser tomado da tribo de Levi, dentre os filhos de Arão, primeiro sumo sacerdote de Israel (Ex 28.1).

Quem era Melquisedeque? Não há na Bíblia muita informação sobre este misterioso personagem, motivo de haver tanta especulação a seu respeito. Todavia temos informação de que ele era rei de paz e de justiça (Hb 7. 1,2) e sacerdote do Deus Altíssimo (Gn 14.18; Hb 7.1). Tais funções lhe conferiam grande dignidade e autoridade, tanto que chegou a abençoar Abraão e receber dízimos deste (Hb 7.4,6). Melquisedeque não tinha genealogia (Hb 7.3) e, por atuar em tempo bem anterior à dispensaçao da Lei, era de uma ordem sacerdotal diferente da de Arão.

Obs. O fato de o sacro escritor dizer que Melquisedeque era sem pai e sem mãe não significa que ele fora gerado de forma especial, que não tivesse parentes, ou que fosse um ser divino. Apenas as Escrituras não mencionam a sua genealogia, lançando muito mistério sobre o seu começo e o seu fim. È desta forma que ele serve como figura do eterno sacerdócio de Cristo.

O sacerdócio de Cristo não é segundo o de Arão, porque este era imperfeito e exercido por homens pecadores. A liturgia, o culto e as ofertas eram apenas sombra das coisas futuras (Hb 10.1; Cl 3.17), portanto ineficientes para aperfeiçoar (Hb 7.11, 19). Outrossim: o sacerdócio arônico foi constituído em grande número de sacerdotes que se sucediam em virtude de serem impedidos pela morte (Hb 7.23). Porém, a semelhança de Melquisedeque, se levantou outro sacerdote (Cristo), “que não foi feito segundo a lei do mandamento carnal, mas segundo a virtude da vida incorruptível. Porque dele assim se testifica: Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque” (Hb 7.16,17).

Melquisedeque e seu sacerdócio são uma prefiguração do sacerdócio eterno de Cristo porque 1) Jesus, como Melquisedeque, é anterior a Levi, Arão e todos os sacerdotes levitas, portanto maior do que todos eles; 2) Jesus não era descendente da tribo de Levi e sim da tribo de Judá, da qual ninguém serviu o altar (Hb 7.13,14); 3). As Escrituras não mencionam a genealogia de Melquisedeque, nem diz nada a respeito de seu começo e fim. Por isso ele é tido como um tipo do sacerdócio eterno de Cristo (Hb 7.3). Portanto o sacerdócio de Cristo, sendo diferente da ordem de Arão, é perfeito, como bem explicitou o sacro escritor: “Porque nos convinha que tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e feito mais sublime do que os céus, que não necessitasse, como os sumos sacerdotes, de oferecer a cada dia sacrifícios, primeiramente por seus próprios pecados, e depois, pelos do povo, porque isso fez ele, uma vez, oferecendo-se a si mesmo” (Hb 7.26,27).


3. O Rei dos reis. Jesus é o legítimo herdeiro do trono de Davi (Is 11.1-10). O seu reino não será jamais destruído, não passará a outro povo, porquanto foi estabelecido para sempre sobre todas as nações (2 Sm 7.12-17; Dn 2.44). Ele recebeu todo o poder nos céus e na terra (Mt 28.18). João O viu, quando estava na ilha chamada Patmos, e O descreveu da maneira que se segue: “... E estava vestido de uma veste salpicada de sangue, e o nome pelo qual se chama é a Palavra de Deus. E seguiam-no os exércitos que há no céu em cavalos brancos e vestido de linho fino, branco e puro. E da sua boca saía uma espada aguda, para ferir com ela as nações; e ele as regerá com vara de ferro e ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor da ira do Todo-poderoso. E na veste e na sua coxa tem escrito este nome: REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES” (Ap 19.13-16).

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